A WeWork, gigante do setor de coworking, enfrentou queda em sua área ocupada no Brasil. No quarto trimestre de 2024, a empresa perdeu 24,5 mil metros quadrados em comparação com o mesmo período de 2023, o que corresponde a aproximadamente três campos de futebol. A redução foi atribuída à devolução de imóveis e à reavaliação de sua estrutura de operações em São Paulo.
Apesar dessa retração, a WeWork segue como líder do mercado brasileiro de coworking, com uma participação de 49,5%, de acordo com dados da consultoria Newmark Brasil. A segunda colocada, a Regus (do grupo IWG), possui uma fatia de apenas 13,1%.
Esse desempenho no Brasil reflete as dificuldades globais enfrentadas pela empresa desde 2019, quando sua tentativa de abrir capital (IPO) fracassou e expôs sérios problemas de governança. Desde então, a WeWork passou por reestruturações e mudanças em sua liderança, com a saída do cofundador Adam Neumann e a entrada do SoftBank como controlador majoritário.
Em 2023, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos, com uma dívida superior a US$18 bilhões, enquanto seus ativos somavam apenas US$15 bilhões. No Brasil, a situação não é diferente, com dívidas que ultrapassam R$66 milhões relacionadas a fundos imobiliários e proprietários de imóveis.
Recentemente, a WeWork firmou um acordo com o FII Rio Bravo Renda Corporativa (RCRB11) para quitar suas pendências financeiras, o que incluiu a devolução de imóveis na Vila Madalena e na Oscar Freire, em São Paulo. A recuperação financeira da empresa no Brasil ainda depende desses acordos e da reestruturação de seu modelo de ocupação.
Outro marco importante foi a saída definitiva do SoftBank, um dos maiores investidores globais em tecnologia, que vendeu sua participação de 49% na operação brasileira para a própria WeWork. Com isso, a empresa multinacional americana passou a controlar integralmente a operação no país. A decisão do SoftBank de reduzir sua participação na companhia reflete uma série de reveses financeiros enfrentados pela WeWork, incluindo ações de despejo devido à inadimplência no pagamento de aluguéis.
Apesar dos desafios financeiros, a WeWork continua a ser a principal fornecedora de espaços de coworking no Brasil. No entanto, o mercado de coworking não parece estar em declínio. Segundo o relatório da Newmark Brasil, embora a ocupação tenha caído em 2024, a recuperação é visível, com novos players, como Spaces, Vip Office e C.O.W, ganhando espaço no setor, atraindo pequenas e médias empresas.
A tendência é que o setor de coworking continue a expandir, impulsionado pela crescente demanda por soluções flexíveis de escritório, especialmente de empresas que adotam modelos híbridos de trabalho.
Em nota, a WeWork destacou que o Brasil continua sendo um mercado estratégico na América Latina: “Com 28 locais em cidades importantes, estamos comprometidos em investir e explorar novas oportunidades de crescimento. Nossa reestruturação regional fortaleceu nossa plataforma e nos posicionou para o sucesso a longo prazo no país,” afirmou a empresa.
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Informações retiradas de O Globo