As compras online já fazem parte do dia a dia dos brasileiros. Se antes havia desconfiança quanto à segurança do e-commerce, hoje esse receio foi deixado para trás. Em 2023, o comércio digital movimentou R$200 bilhões no país, impulsionado pelos cliques de cerca de 90 milhões de consumidores.
No entanto, alguns setores ainda enfrentam desafios para se adaptar ao ambiente virtual. Quanto maior o valor do bem, maior a resistência em fechar um negócio sem uma experiência presencial. No mercado imobiliário, essa barreira é evidente. Muitos compradores hesitam em adquirir um imóvel sem antes visitá-lo pessoalmente, mesmo com recursos como vídeos, gráficos e tours virtuais.
Uma pesquisa da Loft, em parceria com a Offerwise, revelou que apenas 11% dos brasileiros comprariam ou alugariam um imóvel de forma totalmente online. Um dos principais fatores dessa resistência é cultural. O Brasil tem um histórico de golpes e fraudes, o que reforça a necessidade de uma negociação mais tradicional, com visitas presenciais e contato direto com o vendedor.
Além disso, o fator emocional pesa na decisão de compra de um imóvel residencial. Mesmo com tecnologias avançadas, como o Apple Vision para tours virtuais e plantas em alta definição, 72,3% dos entrevistados na pesquisa afirmaram que preferem visitar fisicamente o imóvel antes de fechar negócio.
Quando se trata de empreendimentos ainda em construção, onde a visita ao imóvel real não é possível, as incorporadoras investem em estratégias como apartamentos decorados nos plantões de venda. Nesses casos, as ferramentas digitais complementam a experiência, mas raramente substituem totalmente a visita presencial.
Há, no entanto, situações em que a compra 100% online se torna mais viável. Isso ocorre, por exemplo, quando o comprador está em outro estado ou país e não tem como visitar o imóvel pessoalmente. O mesmo acontece em leilões, onde nem sempre há acesso ao bem antes da compra. Nessas circunstâncias, a confiança na marca da incorporadora e a segurança do processo são fatores decisivos.
Outro avanço tecnológico que vem facilitando o processo de compra online é a assinatura digital de contratos e escrituras. Plataformas como Docusign e ClickSign permitem concluir negociações remotamente, algo que se popularizou durante a pandemia. Apesar da praticidade, ainda há dúvidas quanto à segurança e validade desse formato.
Segundo a pesquisa da Loft, 60% dos compradores preferem concluir o negócio presencialmente, e 57% ainda optam por entregar documentos exigidos em mãos, mesmo que a maioria dos órgãos públicos já ofereça versões digitais.
Diante dos recorrentes casos de golpes no setor imobiliário, a cautela se justifica. Para minimizar riscos, é essencial verificar o registro do corretor, contar com um advogado para análise dos documentos, vistoriar o imóvel e conferir a matrícula no cartório. Dessa forma, seja no ambiente físico ou digital, a compra pode ser feita com mais segurança e tranquilidade.
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Informações retiradas de Renata Firpo á Veja